Só o Senhor é Deus!
 
 

Estudo

ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA

ÊXODO 18.13-22

INTRODUÇÃO

Administração: Ato de ministrar. Presidir. (I Tm 3.4,5)

Liderança eficaz é sinônimo de administração eficiente. As duas coisas caminham juntas.

A má administração nem sempre indica incompetência, preguiça ou relaxamento do líder. Pode indicar apenas a falta de uma metodologia correta de trabalho e de se organizar administrativamente.

A boa administração se faz necessária em todas as áreas da nossa vida.

I – A NECESSIDADE DE UMA BOA ADMINISTRAÇÃO

Uma empresa qualquer só será bem sucedida se tiver uma boa administração. O mesmo acontece com a igreja, com os nossos lares ou com outro empreendimento qualquer.

Todos nós sabemos que a Igreja é um organismo vivo, sustentada e dirigida por nosso Senhor Jesus Cristo, o Cabeça da Igreja. No entanto, devemos lembrar que ela é também uma organização que funciona como qualquer empresa:

- Possui um estatuto;

- Possui empregados remunerados;

- Têm pessoas que dão ordem;

- Têm pessoas que recebem ordens;

- Têm metas a serem alcançadas;

- Possui bens móveis e imóveis;

- Possui secretaria;

- Possui tesouraria;

- É organizada em departamentos;

- Presta relatórios estatísticos e contábeis, etc.

Eis o porquê da necessidade de uma boa administração. Temos na Bíblia exemplos de administração eficiente:

- Na criação do universo (Gn 1.1-31; 2.1,2);

- No conselho de Jetro (Êx 18.19-27);

- No conselho da congregação ao líder Esdras (Ed 10.10-14);

- Na obra realizada por Neemias (Ne 2-7).

II – CAUSAS DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO

Está diretamente relacionada com o seu líder. Dentre muitas causas existentes, apontaremos apenas duas:

1. Líder exclusivista – "Por que te assentas só?" (v 14)

A pergunta feita pelo sogro de Moisés é óbvia:

a) Moisés andava tão ocupado que não tinha tempo nem para a sua família que deixara aos cuidados do sogro (Êx 18.1-7);

b) No meio de uma congregação de milhares de homens capacitados, Moisés assentou-se só para resolver todas as questões. (Êx 18.14);

c) Filas enormes (como as que temos visto nas repartições públicas), e o povo sem atendimento. (Êx 18.13)

Moisés era exclusivista. Achava ser o único que Deus podia usar. Era o único capaz.

2. Líder centralizador – "É porque este povo vem a mim para consultar a Deus". (v 15)

Moisés era o culpado desta grande desordem e ineficiência no atendimento às pessoas, pois centralizou todas as causas, grandes e pequenas, em torno de si. "É porque este povo vem a mim." O povo não tinha outra alternativa.

III – EVIDÊNCIAS DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO

Muitas vezes criticamos o Governo pela má administração do país. Cobramos das repartições públicas, maior agilidade no atendimento. No entanto, nos esquecemos de melhorar nossa própria administração dentro das igrejas.

Jetro pôde detectar a causa básica do problema na forma como Moisés conduzia a congregação:

1. Morosidade – "O povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde." (v 13)

Por vezes temos tecido comentários a respeito deste ou daquele líder de igreja ou congregação dizendo: "É um obreiro muito esforçado. Veja como trabalha, não tem tempo nem para a sua família. Ele é um líder muito envolvido com a obra. Que dedicação." Mas a boa administração nos ensina que trabalhando menos, podemos produzir mais.

Apesar de Moisés estar atolado no serviço e de não ter tempo nem para a família, o povo estava sem atendimento. Centenas de pessoas, com problemas urgentes, tinham que aguardar durante o dia todo, a sua vez de ser atendido. Com certeza, muitos casos graves eram adiados para o dia seguinte, ou quem sabe, semanas depois. Morosidade, lentidão, ineficiência no serviço, são indícios de uma má administração.

IV – RESULTADO DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO

1. Sobrecarga – "Totalmente desfalecerás" (v 18)

Os resultados são sempre os mais desastrosos possíveis: Irmãos que acabam indo para outra igreja, ou até mesmo se desviando, porque nunca foram visitados pelo pastor ou por um de seus representantes. Falta aconselhamento, as viúvas são desprezadas no ministério quotidiano (At. 6.1). E apesar de tudo isto, o líder não tem tempo para descansar, está estressado, sua família não sabe o que é ter um pai e um esposo. A obra não cresce. Os problemas amontoam-se até explodirem em murmurações, contendas e divisões.

Uma igreja nestas condições, não possui dinamismo e muitos dos seus líderes partiram cedo demais, porque contraíram doenças graves, resultantes deste "desfalecimento".

V – A BOA ADMINISTRAÇÃO

Ficamos impressionados quando lemos: "Vendo pois a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o assentar de seus servos, e o estar de seus criados, e os vestidos deles, e os seus copeiros..." (1 Rs 10.4,5a), mas esquecemos que podemos tirar deste texto um ótimo exemplo de administração. Salomão recebeu de Deus, sabedoria para conduzir (presidir, administrar) o povo de Israel, conforme pediu. (1 Rs 3.9)

Conhece-se um líder, se é bom administrador, observando a sua igreja. É importante que o líder saiba antes de tudo qual é o seu papel diante da igreja e quais são as suas atribuições.

1. O líder deve assumir a sua posição

Por não saber administrar, por desconfiar da capacidade dos seus liderados, por falta de visão, por presunção, alguns líderes absorvem todo o trabalho da congregação, esquecendo-se das suas verdadeiras atribuições:

a) Intercessor – "Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus." (v 19)

É necessário ser homem de oração. Após tomar conhecimento dos problemas, levá-los a Deus. Seu tempo não deve ser gasto fazendo aquilo que outros podem fazê-lo. Seu tempo deve usado na oração intercessora e na meditação bíblica. (I Sm 12.23)

b) Instrutor – "Faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer". (v 20)

Jesus Cristo soube fazer bem esta distinção. Ele exigia dos discípulos que fizessem suas tarefas (Mc 6.37, 39-41), e deixassem com Ele, aquilo que outro não poderia fazer. (Mc 6.34,41a) Os apóstolos elegeram diáconos para fazerem o trabalho auxiliar, afim de que pudessem permanecer na oração e na ministração da palavra. (At. 6.4) Jetro aconselhou Moisés a se libertar da carga excessiva e se ocupar em ensinar ao povo o caminho e mostrar (a cada um) o que deve fazer. A instrução religiosa e a doutrina bíblica são atribuições do líder. (At. 20.26-32; II Tm 4.2)

2. O líder deve dividir a carga

Ninguém é insubistituivel. A obra não para quando seu líder morre. Logo Deus levanta outro para dar continuidade. A nossa capacidade vem de Deus, e Ele capacita a quem quer e como quer.

O obreiro não é um super-homem. Ele tem necessidades como outro ser humano qualquer. Ele se cansa e precisa de momentos de descontração, e a única maneira de dirimir o problema sem prejudicar a obra, é repartindo com cada membro da igreja, uma parcela do trabalho a ser realizado. Deve-se tomar as seguintes providências:

a) Procurar auxiliares no meio do povo – "E tu, dentre o povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza." (v 21)

É papel do líder, procurar auxiliares para que o ajudem no desempenho da tarefa. Por isso ele precisa da visão celestial, afim de reconhecer aqueles a quem Deus têm capacitado para a obra. Escolhendo as pessoas erradas, ele cairá no mesmo fracasso, pois nunca poderá contar com nenhum dos seus auxiliares, visto que não têm capacidade e não querem fazer nada. Esta é, sem dúvida, a explicação por que as igrejas estão cheias de "obreiros" infrutíferos.

É importante frisar que os cooperadores devem ser procurados "dentre todo o povo". No seio da Igreja. Quais são as suas características, de acordo com Êxodo 18.21 e At 6.3?:

1) – Capazes – Homens qualificados espiritualmente, dotados de capacidade de liderança e conhecimento das coisas de Deus. (II Tm 2.2) Por vezes imaginamos que esta capacidade esteja apenas no intelecto, ou seja, na formação teológica do obreiro, mas as qualidades a seguir nos mostrarão que um leigo pode ser capacitado pelo Senhor como foram Pedro e Tiago, sendo simples pescadores. No Antigo Testamento encontramos o exemplo de Amós, um vaqueiro sem formação intelectual, mas designado para profeta de Deus. (Am 1.1; 7.14,15) A nossa capacidade vem de Deus (II Cor. 3.4-6)

2) – Tementes a Deus – É uma grande virtude do líder ou cooperador, fazer tudo no temor de Deus. No Livro de Jó 28.28; está escrito: "E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento." Ninguém pode fazer um ministério profícuo sem reconhecer a santidade de Deus e procurar viver de acordo com ela.

3) – Verazes – Qualidade fundamental para o servo de Deus, especialmente para aquele que está imbuído na obra. Ser verdadeiro ainda que com prejuízo próprio e nunca faltar com a verdade é condição preponderante para o sucesso espiritual, pois a mentira é filha do diabo e não pode fazer parceria com os servos do Senhor. Haverá momentos em que impasses de grandes proporções só poderão ser resolvidos por homens capazes de dizer a verdade a qualquer preço. (Sl 15.1-4)

4) – Sem avareza – Em êxodo 20.17, temos uma ordem de Deus contra a avareza, que esta não deve ser praticada pelo seu povo, especialmente por homens que têm compromisso com o seu serviço, pois o avarento nunca vai buscar o interesse da obra, ou de outro irmão e sim, o seu próprio. (Sl 15.5) Leia também (At. 20.33-36)

5) – De boa reputação – Não sejam "mascarados" e que andem em dia com os seus negócios. Deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, honesto. (I Tm 3.2,8) Alguém, que seja respeitado no seio da congregação.6) – Cheios do Espírito Santo – Isto é mais que ser batizado com o Espírito Santo. É necessário demonstrar na vida prática, nas pregações, nas orações, na comunicação, no amor, no equilíbrio, resultados convincentes. (Gl 5.22-26)7) – Cheio de sabedoria – Refere-se a sabedoria de Deus (I Cor 1.18-31; 2.1-16), e não a sabedoria terrena, animal e diabólica (Tg 3.15). Isto não significa que devemos desprezar o conhecimento secular.b) Legando autoridade – "Põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez". (v 21)A expressão: "Põe-nos sobre eles", eqüivale a dizer: "Dê-lhes autoridade sobre o povo". Qualquer um que tentar desenvolver alguma atividade na igreja, sem que seja primeiramente autorizado pelo líder, será tachado de presunçoso e atrevido. Será visto como alguém que quer passar "o carro na frente dos bois". Por isso é necessário que o líder autorize a tais cooperadores exercer cargos e atividades de liderança sobre outros.c) Atribuindo responsabilidades – "Todo negócio grave tragam a ti, mas todo o negócio pequeno eles o julguem". (v 22)Neste momento é importante lembrar da parábola dos talentos em Mateus 25.14,15, onde Jesus deixa claro que as pessoas chamadas tinham capacidades diferentes. Por isso, foi-lhes dado atribuições diferenciadas. A um mais, a outro menos. O conselho de Jetro é coerente com este ensino de Jesus Cristo. Ele diz para Moisés distribuir cargos de lideranças de maneira diferenciada: "Maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez".Em tudo que foi dito, o mais importante é lembrar que administrar bem, é repartir a carga com outros cooperadores, de maneiras que a obra seja realizada satisfatoriamente.Vejamos o conceito de alguns personagens bíblicos, em relação a obra de Deus:a) Jetro – "Negócio mui difícil" (Êx 18.18);b) Neemias – "Uma grande obra". (Ne 6.3);c) Apóstolos – "Importante negócio". (At 6.3);

d) Paulo – "Excelente obra". (I Tm 3.1).

 

VI – RESULTADOS DE UMA BOA ADMINISTRAÇÃO

São inúmeros os resultados benéficos, emergentes de uma boa administração. Além de promover maior dinamismo na obra, os membros se sentem mais confiantes na liderança, pois vêem suas reivindicações atendidas no tempo certo. E por último:

1. O líder fica mais aliviado – "A ti mesmo te aliviarás da carga". (v 22)

Um líder aliviado das pressões dos grandes problemas, que são comuns à grandes obras, tem mais tempo para refletir, para orar, para meditar na palavra de Deus, conseqüentemente, melhorará as suas pregações e os seus ensinos bíblicos, acarretando em maior aprendizado para todos.

Os grandes problemas serão trazidos pelos cooperadores ao líder e os problemas menores eles mesmos solucionarão.

 

2. Os liderados tornam-se mais participantes – "Eles a levarão contigo". (v 22)

"A união faz a força". Três pedreiros trabalhando juntos levantarão com maior eficiência, menos esforço e em tampo mais reduzido uma casa, do que um só pedreiro, por mais habilidoso e capaz que seja.

Uma igreja bem administrada, torna-se em uma igreja operosa. (I Ts 1.3) Pois todos têm a oportunidade de participar. O dinamismo e o sucesso, são garantidos.

 

CONCLUSÃO

Aprendemos com os conselhos de Jetro. Foram conselhos sábios, orientados pelo próprio Deus, e que funcionaram.

Se você irmão, está nessa situação, mude a sua história, mudando a sua maneira de administrar a obre. Reparta com outros a responsabilidade de levar a obra até o fim, quando então, todos receberão a recompensa. (1 Cor. 3.13,14; 15.58

 

Natanael Nogueira de Sousa e Kleber Paulo Santana

Esta é uma página de estudos exclusivos em nossa igreja sede. Esta exclusividade também é sua, alimente-se da palavra de Deus